COVID 19 - Aspectos Gerais
- Anna Tanaka

- 8 de abr. de 2020
- 6 min de leitura
Atualizado: 19 de out. de 2020
O coronavírus, causador da COVID 19, já é um vírus conhecido no nosso meio por causar resfriados.
Duas vezes na história mundial esse vírus foi causador de infecções importantes.
Em 2002 ocorreu a "SARS" (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda) que atingiu aproximadamente 30.000 pessoas no mundo, causando a morte de aproximadamente 3.000 pessoas, configurando uma letalidade de aproximadamemente 10%.
Em 2012, no Oriente Médio, novamente o vírus foi causador de doença respiratória contagiosa, a "MERS" (Síndrome da Angustia Respiratória do Oriente Médio), sendo essa uma doença com elevada letalidade, atingindo aproximadamente 40%.
A "MERS" ocorre até hoje, porém em casos muito isolados, levantando a possibilidade que exista um reservatório animal que mantenha a transmissão da doença.
O SARSCOV 2, causador da Pandemia Mundial que estamos enfrentando, ganhou esse nome por ser muito semelhante ao SARSCOV que foi o causador da SARS em 2002.
Tudo começou em dezembro de 2019 na China, na província de Wuhan, e atribui-se como causa a grande concentração demográfica e os hábitos peculiares da região, sendo comum lá o hábito de comercializar em feiras carne fresca de animais de recém abatidos de várias espécies, incluindo animais selvagens. Isso pode fazer com que os vírus "pulem" de uma espécie para outra e se combinem sofrendo mutações.
Desde dezembro de 2019 a doença foi se espalhando e hoje estamos em uma situação caracterizada como Pandemia, ou seja, o acometimento de todos os continentes por uma doença. Hoje temos mais de 1.500.000 casos de COVID 19 confirmados pelo mundo, com um número de mortos de aproximadamente 87.700 pessoas até o momento.
A COVID 19 é uma doença das vias respiratórias e sua transmissão se dá por gotículas de saliva ou secreção nasal expelidas na tosse, ao falar ou espirrar. Também pode ocorrer o contágio através de fômites, que são superfícies ou objetos contaminados por essas gotículas. Há uma imagem circulando compartilhando o tempo de sobrevivência do vírus em diferentes superfícies, devemos ter cuidado ao analisar as informações, porque infelizmente vivemos em tempo de fake news (e esse é um tema que merece um post, vou fazer! ...)Bom... Esse estudo na verdade foi realizado com os outros tipos de coronavírus, já bem conhecidos por nós profissionais de saúde. O que podemos garantir é que superfícies limpas com álcool 70% ou hipoclorito de sódio (água sanitária) ficam estéreis, ou seja, substâncias desinfetantes são eficazes para matar o vírus, que acaba tendo seu envoltório rompido e morre. Também pode ocorrer a transmissão por aerossol, que são pequenas partículas que podem ficar "suspensas" no ar, mas esse mecanismo ainda não está bem definido e aconteceria apenas em ambiente hospitalar onde alguns procedimentos, como a intubação do paciente, podem gerar essas partículas de aerossol.
O período de incubação dessa doença varias de 4 a 7 dias, ou seja, aproximadamente 95% das pessoas infectadas manifestam sintomas numa média de 5 dias após o contágio. Há porém documentação de transmissão da doença após 14 dias ou mais decorridos do contágio, por isso pessoas com síndrome gripal DEVEM ser afastadas por esse período para evitar contaminar outras pessoas.
A COVID 19 tem alta transmissibilidade, uma pessoa doente pode infectar em média 1-3 pessoas, caracterizando-se como uma infecção autossustentável, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Devemos salientar aqui o fato da população ser toda susceptível a essa infecção, já que esse é um vírus novo, tornando esse potencial de inventividade realmente expressivo.
As manifestações clínicas, ou seja, os sintomas podem ser indistinguíveis de qualquer outra síndrome gripal com tosse, dor de garganta e febre.
Alguns sintomas menos frequentes no resfriado comum foram identificados como perda do olfato, dores pelo corpo e diarréia.
O acometimento pulmonar comumente observado nos pacientes acontece em um padrão que denominamos "em vidro fosco", um termo semiológico para explicar consolidações que ocorrem em todo o tecido pulmonar, predominantemente na periferia dos pulmões, gerando reação inflamatória importante e queda pronunciada dos níveis de saturação.
Alguns pacientes, pertencentes a um grupo que foi caracterizado como de risco (ou não), podem ter uma evolução muito grave com necessidade de tratamento em Unidades de Terapia Intensiva para assistência ventilatória. Dentre esses pacientes que tem doença severa e critica a letalidade pode alcançar valores por volta de 60%, e isso é muito grave.
Vale lembrar que a COVID 19, até o momento e por dados de outros países, tem mostrado que nas crianças a grande maioria manifesta quadro clínico leve (> 95% dos acometidos tem quadro assintomático, leve ou moderado). Ufa!
Mas vale uma ressalva, esses dados não são da nossa realidade até o momento. Tivemos a primeira morte por COVID no Brasil em adolescente de 15 anos de idade, em Roraima, que pertencia a grupo de risco por ser de população indígena.
Quais são os pacientes do grupo de risco?
Adultos com mais de 60 anos de idade, portadores de doenças crônicas, pessoas em imunossupressão devido a uso de medicamentos ou a doença, pessoas com tuberculose pulmonar, gestantes e puérperas, pessoas com obesidade, crianças menos de 5 anos de idade e população indígena.
Então entendemos que o COVID 19 pode causar um resfriado simples em pessoas jovens e sem outros problemas de saúde.
E também entendemos que a transmissibilidade dessa doença é extremamente alta.
E não podemos esquecer que pessoas do grupo de risco, ou não, podem desenvolver forma severa ou critica da doença.
Desse modo chegamos a conclusão óbvia que os cientistas já vem esgotando há muito tempo:
Um grande número de doentes (1.500.000 no mundo) representam um GRANDE número de pessoas que vão precisar de assistência ventilatória em UTI. (Uma peculiaridade da evolução desses pacientes graves é que o tempo de recuperação é extremamente demorado, em média 21 dias de assistência ventilatória em UTI).
Não é muito difícil de imaginar que o sistema de saúde não tem capacidade de absorver todos esses pacientes de uma vez, não só no Brasil mas em vários países, como temos visto pelo mundo afora.
DESSE MODO, AS MEDIDAS RESTRITIVAS, COMO FICAR EM CASA, FORAM A ÚNICA MEDIDA EFETIVA EM DIMINUIR A LETALIDADE DESSA DOENCA, SEGUNDO OS DADOS CIENTÍFICOS. E a comprovação está na historia da doença que estamos vivenciando em tempo real nos diferentes países. Peculiaridades da população de cada país associada a implementação ou não de medias restritivas tem sido reponsáveis pela ampla diferença na taxa de letalidade da doença, com índices variando de menos de 1% a aproximadamente 15% na população em geral.
Lembrando que para os pacientes com doença crítica esse números podem chegar a 60 - 80%.
Situação no mundo:
COVID nos EUA: aproximadamente 430.000 casos, aproximadamente 15.000 mortos (letalidade de aproximadamente 3,5%)
COVID na Itália: aproximadamente 140.000 casos, aproximadamente 17.000 mortos (letalidade de aproximadamente 12%)
COVID na Espanha: aproximadamente 150.000 casos, aproximadamente 15.000 mortos (letalidade de aproximadamente 10%)
COVID no Reino Unido: aproximadamente 60.000 casos, aproximadamente 7.000 mortos
(letalidade de aproximadamente 12%)
COVID na China: aproximadamente 81.000 casos, aproximadamente 3.300 mortos
(letalidade de aproximadamente 4%)
COVID na Alemanha: aproximadamente 113.000 casos, aproximadamente 2.300 mortos
(letalidade de aproximadamente 2%)
COVID no Brasil: aproximadamente 16.000 casos, aproximadamente 800 mortos
(letalidade de aproximadamente 5%)
O Ministério da Saúde está recomendando que, se for extremamente necessário que você saia de casa, todos façam o uso das máscaras de pano.
Como estamos enfrentando o desabastecimento do mercado as máscaras cirúrgicas ou N95 devem ser reservadas para os profissionais de saúde.
Como devem ser as máscaras de pano?
A máscara de pano deve ser de uso individual.
Deve ter duas camadas de tecido (algodão, TNT, tricoline...).
Não devem ser usadas por mais de 2 horas seguidas.
Devem estar ajustadas na lateral e cobrir boca e nariz.
Após o uso as máscaras devem ficar de molho em água com agua sanitária por 20 a 30minutos. As máscaras não substituem as medidas restritivas, portanto o mais seguro ainda continua a ser FICAR EM CASA.
Não descuide das medidas de higiene:
Lavar bem as mãos com água e sabão, em média 40 a 60 segundos (uma dica: cantar "Parabéns pra você" duas vezes).
Fazer uso de álcool gel (substitui a lavagem das mãos quando não há sujeira visível).
Cobrir a boca com lenço descartável ou com o antebraço ao tossir ou espirrar.
Evitar aglomeracões.
Manter distância segura de outras pessoas caso precise sair de casa (pelo menos 2 metros).
Evitar tocar o rosto.
Tirar os sapatos antes de entrar em casa.
Higienizar as superfícies que tocamos frequentemente, como maçanetas, com álcool 70% ou água sanitária.
Minha mensagem é "FIQUE EM CASA". Esse é um momento de retomarmos os valores mais fundamentais da nossa essência, a empatia, a compaixão e a solidariedade. Não está sendo fácil para ninguém, mas vamos cuidar para que o maior número possível de pessoas possa vencer essa batalha.
Como fonte usei dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, da Organização Mundial de Saúde, e do Rastreador de COVID bing.
Espero ter ajudado!!
Dra. Anna =)




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